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Correio Elegante - Monumento ao casal desconhecido

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O amor é uma desilusão de ótica.
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Monumento ao casal desconhecido
Sem pensar duas vezes, a bascatalã puxa nosso herói pelo braço e os dois saem em disparada do albergue. O hotel onde está hospedado Adaô não fica longe, mas o tesão deles é descomunal e tem pressa. Por isso, mesmo com verba limitada, eles fazem sinal para o primeiro táxi.
Assim que embarcam, começa aquela fuzarca no banco de trás. O amasso é tão intenso, que seus corpos chegam a se confundir e não se sabe onde começa um nem onde termina o outro.
Sem tirar a roupa, experimentam todas as posições possíveis e impossíveis. Se eles fossem um pouquinho empreendedores poderiam escrever um novo compilado de posições sexuais, o Táxi Sutra.
O motorista nem se incomoda com a balbúrdia e até aumenta o volume do rádio para deixar o casal mais à vontade. Deve estar acostumado com esse tipo de movimentação, afinal vive na capital mundial da luxúria.
Pouco tempo depois, o táxi chega ao destino. Adaô entrega ao motorista todas as moedas que tem no bolso e os dois entram no hotel voando. O recepcionista tenta dizer algo, mas os pombinhos não dão a mínima e, em segundos, sobem os três lances de escada.
A espanhola tarada prensa o jovem cartunista contra a porta do quarto enquanto ele tenta acertar o buraco da fechadura com a chave.
— Que sorte que você tem um quarto só teu, Adaô.
— Já pensei em tudo, afinal não nasci ontem, bebê — diz ele, orgulhoso de si mesmo.
Impaciente, ele faz umas dez tentativas até encaixar no buraco. Ele encara isso como um treinamento, afinal em breve vai ter que introduzir a chaveta no segredo da Begonia.
Ao abrir a porta, ele percebe que algo mudou no quarto. As camas não estão mais juntas e, entre elas, tem uma mala e um par de botas enorme que poderiam pertencer a um gigante. Um ruído grave, que aumenta e diminui de intensidade ritmadamente faz vibrar forte o assoalho. Por um momento Adaô suspeita de um terremoto.
Cauteloso, nosso herói entra na habitação e dá de cara com um homem imenso deitado na cama ao lado da sua. Ele está dormindo e o barulho forte não é nenhuma atividade sísmica, e sim seus roncos.
Sem entender nada, o brazuca atrapalhado desce correndo para tirar satisfação com o recepcionista.
— Alguém invadiu o meu quarto.
— É um hóspede, senhor — esclarece o recepcionista. — O seu dormitório é compartilhado.
Só então a ficha cai e ele compreende por que seu quarto, tão espaçoso e com duas camas, é tão barato.
— Tem como me transferir para um quarto individual? — pergunta, desesperado.
— Impossível. O hotel está lotado.
Begonia, que ficou para trás, se aproxima dos dois.
— Algum problema, Adaô?
Ao ver a espanholita, o atendente estampa um sorriso irônico e diz:
— Ah… Mais uma coisa. Visitas não são permitidas.
Nosso herói começa a passar mal, como se tivesse acabado de levar um gancho no queixo. Ela desanima por completo e se prepara para ir embora.
Com o fluxo de sangue subindo da cabeça pequena para a grande, o jovem cartunista começa a raciocinar melhor. Ele precisa de alternativas. Conseguir um lugar para ficar a sós com a garota. Um lugar tranquilo e barato. De preferência gratuito. Pode ser no matinho de uma praça, num barco sem dono ou até em algum moinho de vento desocupado. Dentro de um carro! Não, em Amsterdam tem poucos carros. Então em uma bicicleta. Nada a ver, isso não faz nenhum sentido.
Pensando bem, esse negócio de transar em qualquer lugar como cachorro no cio só funciona no Terceiro Mundo, onde faz calor. Ali eles iam morrer congelados e se transformar em estátuas. Para mais um ponto turístico seria um pulo: Monumento ao Casal Desconhecido.
Exausta, Begonia decide voltar ao albergue. Adaô também está cansado e resolve não forçar a barra. Os dois se despedem na frente do hotel e ela desaparece assim que o primeiro bonde passa.
Continua.
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Adão Iturrusgarai

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