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Correio Elegante - Chama o Procome

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Nós sempre teremos Paris
Capa e contracapa do livro
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Chama o Procome
Trecho de HQ sobre a passagem em Amsterdam
Trecho de HQ sobre a passagem em Amsterdam
Enquanto o velhinho brande a bengala, a prostituta fecha a cara e sinaliza com um negativo apontando o polegar para baixo. O senhor não se conforma, fica furioso e bate com o bastão na vitrine. Finalmente Adaô entende a situação que, se fosse narrada em um livro ou filme, teria certeza de que era ficção. Mas não. É realidade e está acontecendo diante dos seus olhos. O velho, mesmo com a idade avançada, precisa trocar o óleo, mas a trabalhadora sexual não parece estar de acordo. Justo. Ela tem o direito de escolher seus clientes, no caso, com quem trepar. Para evitar mal-entendidos, deveria ter na porta da cabine uma placa com o aviso: “reservado o direito de admissão”.
O jovem cartunista toma as dores do velhinho e, sensibilizado, se pergunta se na Holanda, um país sério do Primeiro Mundo, não tem leis para proteger o consumidor. Uma espécie de Procon, ou melhor, Procome. Ah, o mundo é cruel, inclusive nas regiões desenvolvidas.
O ancião sobe o tom e começa a desferir chutes e socos na porta. Nosso herói resolve interceder, fica com medo de que o senhor escorregue e quebre a bacia ou tenha um ataque cardíaco.
Adaô corre até lá e inicia um gestual de apaziguamento, usa o que aprendeu no curso de mímica que havia feito em Porto Alegre. Depois de ameaçar o jovem cartunista com a bengala, o velho desiste e vai embora esbravejando o lado B inteiro do dicionário holandês.
A cena é triste mas, ao mesmo tempo, maravilhosa. Daria uma bela história em quadrinhos, imagina o brazuca desenhista. Chega de Bairro Vermelho. Vamos tomar algo e desenhar logo essa HQ, Adaô.
O sol ainda banha Amsterdam naquele final de tarde de outono. O vento gelado sopra de leve obrigando os mais friorentos a tirar do guarda-roupa seus cachecóis e gorros de lã.
Perto dali, Adaô encontra um pub ajeitadinho. O lugar é aconchegante e está bem aquecido. Nosso herói escolhe uma mesa com vista para um dos principais canais da cidade, o Herengracht, e o Jardim Botânico. O frio pede uma bebida quente e em breve Adaô estará acompanhado de um cremoso Irish coffee.
Enquanto o barman prepara a bebida, nosso herói tira da mochila as ferramentas mais importantes da sua vida: bloco de desenho, lápis, borracha, régua, esquadro e caneta de nanquim. O conjunto se completa com o Walkman Sony rodando Songs for Drella. O que mais um homem pode querer? Ah, sim, o coquetel. E ele chega sem demora.
Depois de alguns goles, Adaô começa a desenhar ao som de John Cale e Lou Reed. Direto, sem esboço. Rascunhar a lápis é para os fracos e tira toda a espontaneidade do traço, pensa ele. Em seguida, lista mentalmente todas as aventuras que viveu na cidade, que não foram poucas para somente dois dias, e começa a transferir tudo da tinta para o papel.
Ao anoitecer ele termina a HQ. Após escrever a palavra “fim”, acende um Gitanes e fica admirando sua obra, cheio de orgulho, se comparando a Deus ao terminar a criação do universo.
Entre as folhas do bloco, nosso herói encontra um cartum que fez no dia anterior, entre um baseado e outro, lá no coffee shop. A tira mostra dois caras sentados em um ônibus. Um deles solta um pum e o que está ao lado pergunta: “Você peidou?”. O outro responde: “Não, arrotei. É que eu sou ventríloquo”.
O jovem cartunista cai na gargalhada chegando a chamar a atenção do barman e dos fregueses. A tira é perfeita para publicar na revista Chiclete com Banana. Vou ligar para o Angeli e mandar, pensa ele.
O brazuca paga a conta e vai até o centro à procura de uma loja de telefonia e fax. Mesmo com a falta de grana para fazer uma ligação internacional, Adaô resolve telefonar. No fundo, está louco para bater um papo com seu ídolo.
Continua.
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Sair da mesa com fome é o mesmo que sair de um puteiro com tesão.
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Adão Iturrusgarai

Correio Elegante

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