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Correio Elegante - A Bascatalã

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A bascatalã
Placas no País Basco.
Placas no País Basco.
— Begonia. Que nome lindo.
— É comum no País Basco. Minha família é de Bilbao.
— Que coincidência. Também tenho raízes bascas. Meu sobrenome é Iturrusgarai.
— Iturrusgarai é superbasco.
Nosso herói se sente feliz como nunca na capital das tulipas acompanhado de uma outra flor, a Begonia, que, como ele, tem raízes bascas. Coincidências? Que nada. Não existem coincidências. Essas casualidades são sinais jogados ao vento pelo destino. Para Adaô esse encontro foi fruto de uma conspiração do universo. Nada em nossas vidas acontece por acaso, filosofa.
O jovem cartunista aproveita para mostrar alguns cartuns seus e ela parece se divertir com suas piadas. À medida que o papo flui, e flui gostoso, ele começa a ter certeza de que vai se dar bem com a bascatalã. Entre goles de Guinnes e baforadas de Gitanes, eles conversam sobre várias coisas. Ela pergunta sobre o Brasil e ele quer saber tudo de Barcelona. Adaô fala dos encantos e desencantos do seu país e ela lamenta que essas coisas ruins aconteçam em um lugar com tanto potencial e pergunta se ele está feliz em Paris. Sim, me sinto em casa mas a batalha para viver de quadrinhos está sendo mais dura do que eu imaginava.
Não vou desistir, diz ele, levantando o copo. Porque os bascos nunca se dão por vencidos, completa ela, repetindo o gesto com o copo de Guinness e fazendo um brinde.
— Não sei como você aguenta os franceses. São uns metidos a besta.
— Olha, eu tenho ótimos amigos em Paris. Poucos, mas especiais.
Adaô percebe que o esporte mais popular na Europa não é o futebol e sim, falar mal do francês. O parisiense é ainda mais odiado, tanto quanto os portenhos na América do Sul. Nosso herói lembra de um estudante argentino que ele conheceu no Quartier Latin: “eu sei que os brasileiros odeiam a gente. Sabe quem são os culpados de sermos mal vistos? Os portenhos! São esses malditos que viajam e queimam nosso filme com sua arrogância". O hermano disse isso fazendo uma cara tão triste que Adaô sentiu vontade de abraçar o pobrezinho.
— Pelo menos os parisienses têm o Serge Gainsbourg — diz Begonia sinalizando com o dedo o maço de Gitanes, o preferido do bardo borracho.
Os dois riem e Adaô aproveita para se deliciar com o movimento das suas mandíbulas, lábios, língua, dentes e o sininho da garganta, a úvula, vermelha e saltitante. “Úvula” que por pouco não é um anagrama de “vulva”. Mais um sinal, molhadinho neste caso, de que vai rolar alguma coisa. Não quero ser mais cartunista. Quero virar dentista para explorar a boca dessa florzinha gótica.
— E como é a cena de quadrinhos no Brasil? — pergunta ela.
— O Brasil vive uma espécie de “era de ouro” do quadrinho alternativo. Tem uma editora em São Paulo, a Circo, que está fazendo uma revolução. Aquele cartum que estava mandando por fax é para a revista Chiclete com Banana, o maior sucesso de lá.
— E por que você não está no Brasil engrossando as fileiras dessa revolução? O que está fazendo em Paris?
Aquela pergunta acerta nosso herói no peito, em cheio, como uma falta cobrada pelo Zico no ângulo. Por alguns segundos ele não sabe o que responder, dá de ombros e fica pensativo. Notando o constrangimento dele, ela faz um sinal para o garçom.
— Two more pints of Guinness, please — se vira para o Adaô e acende um cigarro —Precisamos beber mais.
As canecas chegam e imediatamente são empinadas. Os dois dão umas baforadas e tudo volta a ficar bem.Visqui la vida i totes les dones que beuen cervesa negra.
— Deixa eu ver o teu passaporte? — diz ela.
— Por quê? — pergunta ele, intrigado.
— Sei lá, preciso garantir que você é você mesmo e não um psicopata que vai me dopar e depois vender meu rim para uma rede de tráfico internacional de órgãos.
 Continua.
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Adão Iturrusgarai

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